Ir para a nuvem é uma atividade cheia de detalhes. E o diabo está à solta.

Alguns provérbios são realmente sábios. Um deles fala sobre o diabo residir nos detalhes. Pois sim, são os detalhes que realmente diferenciam e resolvem tudo. Eu venho de uma época em que analisar com profundidade era mandatório. Na faculdade, várias da matérias que eu fazia tinham provas de uma única questão. E demorava horas para resolver, com uma chance nula de gabaritar. Hoje, se dedicar aos detalhes, conhecer uma coisa com profundidade, se concentrar – que no mundo corporativo chamamos sei lá eu por que de “foco” – é sinal de estranhice, de obsessão até. Pois hoje, o que importa é fazer um pouco de cada. Dar atenção por no máximo 5 segundos e pular para outro assunto. Textos longos, nem pensar. Estudar um assunto, desnecessário, já que há sempre um vídeo que te ensina tudo no youtube em 30 segundos, antes dos quais a gente já curtiu!

Eu não consigo me adaptar a este mundo. Prefiro acreditar que há valores que a civilização aprendeu e que são eternos. Um deles tem de ser este: os detalhes contam. E sem eles, o diabo faz a festa.

Vejam o que acontece em Cloud Computing. Sem ir aos detalhes, você sabe apenas que é uma revolução para a TI e para o mundo, que traz uma agilidade enorme, redução de custo mas o trade-off tem de existir e deve ser a segurança dos dados. Afinal, tudo tem um trade-off, não é? Não, não é. Quando realmente se analisa Cloud em detalhes, surge uma outra realidade. Cloud é uma evolução e não uma revolução – por isso quem pensa em coisas “born in the cloud” perde justamente parte desta complexa evolução. Sim, traz agilidade e redução de custos mas não é algo automático. Agilidade, custos menores e principalmente segurança podem ser grandes ganhos em se usar Cloud, mas isto tem de ser construído. Tem de ser elaborado. A experiência conta e o planejamento também. 

Mas e o trade-off? Não há. Como assim, só benefícios? Isto é possível? Sempre que há uma transformação na tecnologia, como esta, é possível ter benefícios enormes – mas cuidado com os detalhes. Nos detalhes notamos a riqueza desta tecnologia, assim como as ameaças em custos e segurança mal feita. Não vá para as nuvens sozinho, muito menos sem entender os detalhes.

Após levar mais de mil clientes para alguma tecnologia de Cloud – aliás, vários deles tem mais de uma Cloud conosco – sentimos que entender estes detalhes é realmente ponto fundamental para uma boa experiência na nuvem. Alguns deles:

  1. Como sua arquitetura atual será transportada para a nuvem? Vamos migrar como está e modificamos com o tempo ou vamos fazer tudo de uma vez só?
  2. Qual o plano de migração, qual a matriz de responsabilidades, prazos e passos?
  3. Quem vai operar e como? Como fica a gestão de mudança, o monitoramento, a gestão e acompanhamento de segurança, performance e custos?
  4. Quais ferramentas usará para garantir segurança na camada de aplicação? E como vai monitorar a performance das aplicações? E o backup?
  5. Esta é cruelmente esquecida: load balance e elasticidade em geral: sua aplicação está pronta? Quais os triggers e limites?
  6. Vai usar micro-serviços? Como foi a prova de conceito? Já tem uma simulação do custeio?

Enfim, pode ser uma lista muito maior – mas já deu para entender. Ir para a nuvem é uma atividade cheia de detalhes. E o diabo está à solta.

Boa leitura.

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